Uma pátria sem time

Somos uma pátria.
Seu nome? Brasil.
Sua extensão territorial? 8.511.965 km2
Sua população? 185 milhões de pessoas segundo o IBGE
E achamos que 12 deles devem nos representar e nos dizer como seremos vistos como nação. Ledo engano. Dunga e seus comandados não merecem tal responsabilidade.
Ontem o que vimos em terras mineiras foi um projeto de time. Foram 2 ou 3 jogadores ligados no jogo e o resto em campo para fazer número e cumprir suas “funções”. Á beira do campo, um desorientado comandante tentando fazer com que aqueles onze formassem um time. Não que tivéssemos enfrentado a melhor Argentina de todos os tempos, mas a Argentina é a Argentina. Los Hermanos Nostros. Nosso eterno rival. E terminar um jogo de 90 minutos sem marcar um gol sequer neles nos dói na alma.
Pior que isso, um time esforçado mas sem brilho. Um time talentoso mas sem brio. Separados eles estão nos melhores times do mundo, juntos não se entendem, não conversam a mesma língua. Duvido que se ache algum brasileiro apaixonado que se contente com essas fracas apresentações. Estamos acostumados com Garrincha, Pelé, Zico, Falcão, Romário, Ronaldo, Kaká. Não nos identificamos com esses nomes atuais, não estão a altura do futebol brasileiro. O mais invejado do mundo pelo número de craques e lendas na linha do tempo deste esporte.
O brasileiro quer show, quer espetáculo. Quer jogadas bonitas, dribles, pedaladas, bola na rede, chegada com raça. Os jogadores não. Eles estão preocupados com seus clubes na distante Europa. Estão pensando em suas férias, na Champions League, em serem os melhores do mundo, em seu salário. Não estão preocupados com o que sua seleção anda jogando. Possuem a certeza de que estarão na Copa sem antes estar de fato. É só ler as declarações para constatar. É triste. Uma nação acostumada com as vitórias e as boas partidas amargar 3 jogos sem uma bolinha na rede sequer. No máximo na rede do lado de fora, na trave, na arquibancada. Tudo menos a bola estufando a rede por dentro e o grito solto na garganta.
Hoje em dia não vejo mais o futebol com os mesmos olhos. É um esporte que se deixou dominar pelo dinheiro e o marketing. Prefiro ver uma pelada na rua de baixo do que minha seleção em campo. É mais emocionante. Tem mais paixão.
Sorte que temos pela frente uma Olimpiada. Onde nós, brasileiros, mesmo que por pouco tempo nos lembramos que existem outros esportes além do futebol. E muitas das vezes aprendemos a gostar deles e a acompanhá-los. E tenho certeza de que serão esses esportes que nos trarão alegrias este ano. O futebol, participa da Olimpiada, mas se fosse você não esperaria grande coisa. Afinal, somos uma nação de 185 milhões. E essa grande nação não está restrita apenas ao futebol, somos bons em muitas outras coisas.
Sorte nossa!

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